sábado, dezembro 24, 2022

 TOMO I

Véspera de Natal. Desde do começo das minhas férias (na verdade, essa primeira semana foi de recesso de fim de ano e, na verdade, até um pouco antes), não consegui fazer NADA. 

A experiência 24/ 7 em casa, com todas as suas presenças e ausências, revela todo o barulho e o silêncio da solidão, desse vazio tão característico da depressão que, no dia-a-dia do trabalho no "não-lugar" que é a "repartição", não se apresenta. Fumando muito, voltei a beber. Enfim, sintomas... 

Os algoritmos jogam na minha cara esse meu estado de ser... Youtube, Spotfy, Netflix, Notícias... Todas as minhas TL's estão povoadas, ou de assuntos que precisava acessar, começo a ver, não consigo finalizar e salvo em alguma pasta temática, ou de assuntos apocalípticos sobre futuros políticos, sociais, ambientais... Minhas TL's estão doentes e me adoecendo... Sair? Sair de tudo? De repente, pedir asilo existencial no Pinterest ou no Linkedin? Será que funcionaria ou acabaria contaminando até mesmo esses espaços anódinos?

Ontem teve samba. Falei que ia e não fui. Acho que, se tivesse ido, teria surtado. Foi um amor que perdi. Uma melancolia cujo "fio" causal não consigo puxar. 

Não consigo estudar, não consigo trabalhar, não consigo me divertir, não consigo fazer "nada". Não estou aqui. Pensava em fazer pilates... Acho que vou ter que voltar prá terapia. 

TOMO II (e TOMO III)

A existência dos Tomos II e III depende do Tomo I. 

quinta-feira, dezembro 08, 2022

TOMO I

    Engraçado... Tenho deixado o "Tomo I" por último nas minhas postagens ultimamente... Certamente um sinal de que falar da vida, do dia a dia está complicado e, escrever primeiro os outros "Tomos" (mais descritivos, menos pessoais) tem servido de preparação para encarar esse aqui.

    Respiro fundo...

    Apatia, creio, é o termo mais adequado para descreve meus dias. Talvez raiva. É possível ser um apático raivoso, ou um raivoso apático? Qual é o nome disso? Tem remédio?

    A solidão do gabinete-de-repartição é reconfortante. Vai me cansando a perspectiva de voltar para casa. Cada vez que entro ali, depois do trabalho, vejo um lugar que, dia após dia, me é mais estranho. Tento "fechar" a rotina do fim de dia o mais rapidamente possível, tomar os remédios e dormir. Todos sofrem. Tudo é sofrimento empobrecido.

    Ou pode ser apenas crise da meia idade... Realmente, a perspectiva da morte não é apenas cada dia mais palpável como, arrisco-me a confessar: atraente.

TOMO II

    Evoluí muito pouco no curso de python. Comecei empolgado e, acho que muito em função dessa "parada obrigatória" imposta pela COVID, tenho desacelerado. E é, exatamente o OPOSTO do que o curso parece requerer: aparentemente, só vai funcionar se o nível de engajamento for crescente, porque o nível de complexidade é crescente.

    Mudando de cobra prá serpente: minha parte como articulador das partes interessadas no conjunto acadêmico que estou prestes a projetar foi concluída com êxito. Agora, dependo da habilidade/boa vontade de outros para que aconteça efetivamente. Dedos cruzados...

TOMO III

    Nada de leitura da dissertação. Tenho que ROMPER essa barreira! Nada da leitura de NADA! Como penso conseguir fazer um doutorado inteiro sem ser capaz de me concentrar? De encontrar vontade de adquirir, por meio da leitura, algo que SEI QUE GOSTO que é conhecimento?! Tem coisa muito errada...

    Ao menos uma boa notícia para a semana. O Douglas topou ser meu "interlocutor" de aspirações, possibilidades e questionamentos acerca dos rumos a tomar no doutorado. Será a última chance que darei a alguém, para me abrir sobre questões acadêmicas. Das últimas vezes, ver minhas ideias ROUBADAS foi difícil!... Ao menos roubasse sinalizando que tem interesse em compor um grupo para pesquisar o assunto... Mas NADA! Sempre considerei o Douglas uma pessoa ética, de bom caráter (além, claro, de muito capacitada). Espero que as conversas rendam frutos pois quero fechar a fatura desse Doc. nos próximos quatro anos... Preciso começar agora, mas, por falta de CONVERSAR, fico preso em generalidades. Acho que isso também interfere na minha capacidade de concentração.

quinta-feira, dezembro 01, 2022

TOMO I

    Pós COVID.

    Não tive paci... disposição para escrever durante meu período doente. Foi um erro pois qualquer tempo que passo confinado à minha própria existência é um tempo de reflexão, logo, de sofrimento.

    Aparentemente passou. A doença. Ao menos seus sintomas mais agudos. Vejamos agora que "presentinhos" o vírus deixará dessa vez. Na primeira vez, suspeito (fundamentado em suspeita médica) que meu pós-covid trouxe à reboque um problema de tireóide. Dessa vez, veremos.

    Aproveitei o tempo de resguardo (quando a disposição deixava) para continuar as costuras para a configuração final do projeto do grande conjunto PVA III/ DES/ FabLab/ Fábrica de Ideias. É um grande empreendimento pessoal (talvez meu último na instituição) que está movimentando minhas entranhas. Somem-se as angústias e preocupações naturalmente advindas de tal responsabilidade à confusão mental padrão de mim mesmo à confusão mental que, aparentemente, é padrão de um pós-covid normal, pense num corpo moído.

    Aproveitei o tempo também para aprofundar em um dos trabalhos de fim de curso para cuja banca de avaliação fui convidado. Fiquei preocupado com a real capacidade de o aluno de levar a termo seu trabalho. Fiquei preocupado também com a coerência interna da proposta, visto que percebi que, até mesmo a bibliografia, foi mal compreendida pelo candidato a arquiteto.

    PS 01: acabei de olhar ao redor e me senti um estranho em minha casa.

TOMO II e TOMO III

    Nem vou me alongar aqui. Nada li da minha dissertação e não escrevi uma linha sequer em python. Vou retomar - o mais rapidamente possível - essas atividades.